maria e o peixe encantado: uma cinderela baiana

A História da História

Certa vez na Casa Redonda, onde trabalhei com educação infantil durante 12 anos, iniciei um projeto a partir da pesquisa de variantes de “Cinderela”, um dos contos tradicionais mais conhecidos ao redor do mundo. De forma mágica, o livro Cinderela nos entrelaces da tradição, de Edil Silva Costa, caiu em minhas mãos como presente da Fada Madrinha Lydia Hortélio. Contando algumas dessas versões de “Cinderela”, ao lado das clássicas de Perrault e dos Irmãos Grimm, percebi que as crianças identificavam claramente sua estrutura fundamental e isso se refletia nas brincadeiras. Elas iam fundindo imagens das variantes, costurando retalhos de cada uma delas, mas preservavam a essência da história.

Aos poucos foi nascendo a nossa “Cinderela”, uma mestiçagem de várias outras Moças, Marias, Aninhas, Rosas, Borralheiras. Por muitas vezes morri madrasta e renasci mãe nas histórias brincadas, fui fada e também bruxa malvada de faz de conta. Alguns contos estruturados em torno do tema da menina atormentada fazem parte do Ciclo da Gata Borralheira e foram referência para nossa brincadeira. “As comadres”, também conhecido como “Maria e o peixe encantado” é um dos escolhidos pelas crianças.

 

Ficha técnica

Maria e o Peixe Encantado

Conto popular da Bahia adaptado por Cristiane Velasco. Recolha de Edil Silva Costa.

Cantigas Tradicionais:

“O sol vem nascendo ali” (pesquisa Renata Meireles, com adaptações).

“Lava lava, lavadeira” e “Ai, ai, que tem?” (pesquisa Lucilene Silva, com adaptações).

“Óia o peixe” (pesquisa Lydia Hortélio, com adaptações).

Música:

“O Galho da Roseira”. Recriação de Cristiane Velasco e Fernando Almeida a partir de “O Gaio da Roseira” (composição dos pais de Hermeto Pascoal enquanto trabalhavam na roça) e “O Galho da Limeira” (corrido de capoeira).

 

Com:

Cristiane Velasco: voz.

Crianças: Belinha, Tomé e Alice.

Renato Rossi: viola e arranjos.

Luiz Gustavo Nascimento: violino, piano e arranjos.    

Blec Paulo: caxixis, ganzá e atabaque.

Fernando Almeida: voz, berimbau e “berimbolino” (arco de violino no berimbau).

Guilherme Sapotone: efeitos.